Frango melhora vida no interior do PR


Da criação de frango ao processamento da carne, o uso de mão de obra intensiva torna a avicultura a maior geradora de empregos e renda do agronegócio paranaense. Milhares de pessoas trabalham em segmentos desconhecidos no meio urbano, como o de produção de ovos férteis, o de distribuição dos pintainhos, o de logística de transporte. Dinâmica e altamente tecnificada, a avicultura demanda também uma ampla gama de produtos e serviços e faz girar ao seu redor, como verdadeiros satélites, indústrias dos mais diversos portes dedicadas especificamente à atividade.
Emprego
A complexidade dessa cadeia fica evidente em pequenos municípios do interior, como é o caso da pequena Cafelândia no Oeste do estado. Dono do nono maior plantel de aves do estado, o município com 12 mil habitantes tem um Produto Interno Bruto (PIB) per capita superior a R$ 15 mil por habitante – o 7.º maior do estado – e ocupa a 46.ª colocação entre os 399 municípios do Paraná no ranking estadual de IDH. Boa parte do desempenho é atribuído à avicultura.Sede da Cooperativa Agrícola Consolata, a Copacol, Cafelândia gira em torno do frango. Uma das primeiras do sistema cooperativo paranaense a investir na industrialização da carne de aves, a cooperativa tem na avicultura o seu principal negócio. Com aproximadamente 60% de seu faturamento proveniente do frango, a Copacol abate atualmente 320 mil aves ao dia e a previsão é chegar a 480 mil aves/dia no ano que vem.Somente no abatedouro emprega perto de 2,5 mil funcionários. No campo, integra mais de 800 avicultores e mais de mil aviários. “70% dos nossos cooperados são pequenos produtores e para a maior parte deles a avicultura é a principal fonte de renda”, revela o presidente Valter Pitol.
Renda bimestral faz diferença no meio rural
Integrado da cooperativa C.Vale, de Palotina (Oeste), Leomar Casarolli tem quatro aviários e 170 hectares de lavoura na propriedade que mantém em Corbélia. “Com renda certa a cada 60 dias, a avicultura garante capital de giro para a fazenda. Com o dinheiro dos grãos faço uma espécie de poupança para pagar dívidas e investir na modernização da propriedade”, relata.“Quando começamos a criar frango, em 97, tínhamos uma dívida de R$ 7 mil. Em pouco tempo, conseguimos pagar a dívida e hoje até emprestamos dinheiro para os amigos”, comemora a avicultora Maria Aparecida Ramos. Junto com o marido, Paulo, e os dois filhos, ela mantém dois aviários na propriedade de 5 hectares que a família mantém em Novo Itacolomi.Com seis aviários e planos para construir novos barracões, a família Toniette, de Siqueira Campos, também se diz satisfeita com a atividade. Os três irmãos, Liver, Lourival e Luiz relatam nunca ter tido problema ou prejuízo com o frango. “Nem mesmo durante as crises de exportação”, reforça Charles, filho de Luiz. “Sou formado em Administração, mas para mim é inviável sair daqui. Na cidade não dá para ganhar o que eu ganho [na avicultura]”, afirma.
FONTE GAZETA DO POVO
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