terça-feira, 12 de junho de 2012


O coração supera barreirasDouglas Marçal

O funcionário público Ricardo Alexandre Vieira e a auxiliar de creche, Maria Simões da Silva Vieira se conhecem desde a infância. Eles brincavam juntos e tinham amigos em comum. Entretanto, o interesse afetivo de um pelo outro só começou mais tarde, quando já estavam adultos e passaram a frequentar a mesma igreja. Para alguns, a união parecia complicada, porque Ricardo é cego e Maria, não. Para eles, no entanto, a vida é normal.
"Não tivemos dificuldade. Ela sabe das minhas limitações e eu também compreendo os limites dela. Nossa família sempre nos apoiou. As pessoas de fora é que, às vezes, fazem perguntas. Querem saber como é o relacionamento", diz Ricardo.Ele conta que os familiares sempre aceitaram a união, porque já o conheciam e sabiam quem ele era. "Sempre fui bastante independente. Trabalhava e convivia bem com a deficiência e eles sabiam disso", destaca.
A deficiência visual, em momento algum foi empecilho para o relacionamento e a prova disso pode ser vista por todos que os conhecem. Ricardo e Maria estão juntos há 11 anos e têm uma filha de oito anos que não tem a deficiência visual. Preconceito
A respeito do preconceito, Maria comenta que é comum as pessoas sentirem pena de Ricardo. "Elas costumam dizer: coitado dele. Mas na mesma hora eu digo: Coitado, por quê?, ele é totalmente independente, trabalha, anda pela cidade sozinho. Eu só preciso acompanhá-lo quando ele vai ao médico", relata.
Outra situação enfrentada pela auxiliar de creche foi o questionamento das pessoas no período em que ela estava grávida. "Perguntavam se eu não tinha medo de a criança nascer cega, mas em momento algum tive qualquer receio. 
Quando eu casei com ele, sabia do risco de ter um filho cego e estava preparada para isso. Minha filha não tem a deficiência, mas se tivesse, cuidaria dela com o mesmo amor", ressalta Maria.
Ela também afirma que a médica que fez o pré-natal pediu um exame para saber se a criança nasceria cega, mas ela se recusou a fazer.
Além do preconceiro no período da gravidez, Maria conta que as pessoas perguntam se ela precisa dar banho no esposo ou ajudá-lo a se vestir. "É incrível como as pessoas são desinformadas. Ele faz tudo sozinho. A única coisa que eu faço é deixar tudo organizado para que ele não tenha problemas para encontrar roupas, sapatos e outros objetos pessoais", diz.
Sobre o casamento, Maria e Ricardo enfatizam que têm um relacionamento normal.
"Temos bons momentos e dificuldades como qualquer outro casal", frisa Ricardo.
"Quero viver com meu esposo até que a morte nos separe", decla
ra Maria.

FONTE O DIÁRIO

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